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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Qual seu círculo?

Conversando numa certa volta do dentista com o meu pai, o assunto atingiu uma proporção filosófica, atingindo o ápice na questão da missão de vida de cada um, e percebemos a condição de nobreza peculiar em algumas pessoas.

Essa dimensão me deixou pensativa e após intrigada, pois na mesma semana assisti ao filme ’10.000 DC’, que trazia a essência de nossa conversa em uma frase dita pelo personagem Tic-Tic em uma das partes sentimentais, recheada de conselhos que todo filme épico traz:

Um homem bom faz um círculo a seu redor e cuida dos que estão dentro dele: sua mulher, seus filhos. Outros homens fazem um círculo maior e põe dentro dele seus irmãos e irmãs. Mas alguns homens têm um grande destino. Devem fazer ao redor deles mesmos um círculo que inclua muito, muito mais gente.

Na verdade até usamos essa metáfora, o me deixou ainda mais embasbacada. E um exemplo de fácil compreensão está em um livro bíblico, o de Ester. O homem que faz o círculo ao redor de sua família é bem ilustrado por Hamã[1], que estende as vantagens e regalias que recebe do rei Assuero[2] aos seus familiares. Com um salto de diferença está Mardoqueu[3], judeu e parente da rainha Ester, que fez um grande círculo que abrigava desde seu povo e seus familiares até o próprio rei – quando preveniu uma conspiração.

Quando seu populoso povo israelita, cativos estavam ameaçados ao genocídio[4], o sangue azul que pulsava em suas veias moveu Mardoqueu em atitude, e conseguiu que o fato não fosse consumado. Por causa de suas intenções foi honrado até o fim de seus dias, sendo segundo do rei no lugar do perverso Hamã, procurando o bem-estar de seu povo e trabalhando para a prosperidade dos mesmos. Vantagens ao fim da vida. A questão não é essa.

A real questão é o tipo de pessoa que cada um é. Muito bom cuidar de nossa família. Mais louvável ainda é incluir amigos ao nosso círculo de visão e proteção. Mas existe um chamado para alguns de estender esse círculo a pessoas que nem ao menos conhecemos.

Falei para o meu pai que quero usar o círculo que Deus nos deixou para usar. – Qual é esse?, ele me perguntou. É o círculo que envolve o horizonte. O mundo, meu caro.

Monique, verão de 2009.



[1] Filho de Hamedata, que estava no trono acima de todos os príncipes do rei Assuero.

[2] Nome do rei da Babilônia, em persa antigo. Nas histórias gregas, ele era conhecido com Xerxes I (que reinou de 486 a 465 a.C.).

[3] Judeu descendente da tribo de Benjamin vivendo na Babilônia, época em que os israelitas eram prisioneiros.

[4] Qualquer crime contra a humanidade, nesse caso a matança de um povo.

4 comentários:

Rafael Jambas disse...

Belo texto Carol. Maravilhosa visão de mundo.

Vivo sempre me perguntando se é mesmo possível que esse meu círculo funcione, pois morro de medo que pelo seu infinito tamanho, ele perca a sua funcionalidade, e me conforta muito saber que existem mais pessoas no mundo para dar força à ele.

Um grande abraço.
Rafael

O esconderijo do Pinico disse...

excelente texto!

quando nos cabe a tarefa de sermos humanos, isso vai muito mais além do mundo que denotamos pelos nossos olhos, e nem sempre são atentos a tudo, mas de haver essa responsabilidade do circulo(o mundo) há uma esfera ainda maior de toques e vida em seus cuidados mais minuciosos.

haha achei fantástico!

Fransoa disse...

Paris, ficaria mais atraente conhecendo a dona do Blog, e
não a dona do Blog, conhecendo
Paris.
o que vc escreve e muito lindo

continue assim.

Fransoa

Navielg disse...

maravilho texto,não para não.
o foco da vida está nas entrilinhas do acaso que nós construímos.e através da escrita descrevemos nossas idéias que o nosso meio sociável pode aumentar e isso só depende de nós.Façamos a diferênça!